O verão de 2026 para 2027 promete ser um dos mais quentes dos últimos anos. Para proteger a equipe da desidratação no trabalho, a empresa precisa se antecipar: garantir água e reposição de sais perto de quem trabalha, organizar pausas e sombra, treinar o pessoal para reconhecer os sinais do calor e ter um procedimento para emergências. Abaixo mostramos o que esperar do clima e um plano prático para colocar em pé antes da próxima onda de calor.
O que esperar do calor até o verão
O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como Cemaden, Inpe e Inmet, aponta probabilidade acima de 90% de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com o fenômeno se estendendo pelo menos até o início de 2027. Com base em 47 anos de registros de temperatura em anos de El Niño, o Cemaden projeta pelo menos seis ondas de calor no Brasil entre setembro e dezembro de 2026.
Onda de calor, no critério do Cemaden, não é um dia quente isolado: são pelo menos três dias seguidos com temperaturas máximas e mínimas muito acima do normal para a região. É justamente essa sequência que pesa no corpo de quem trabalha, porque a noite não refresca o suficiente para o organismo se recuperar entre um turno e outro.
O Inmet também previu outubro com temperaturas acima da média na maior parte do país, com as maiores anomalias no Centro-Oeste e no Sudeste. Para quem tem equipes em canteiro de obra, lavoura, usina, mineração, logística ou manutenção externa, o recado é simples: o calor vai ser frequente e prolongado.
Desidratação é risco de segurança, não só de conforto
Em jornadas longas no calor, o corpo perde água e sais minerais pelo suor mais rápido do que a sede consegue avisar. O trabalhador desidratado perde força, reflexo e concentração. A literatura sobre saúde do trabalhador associa a desidratação à queda importante da capacidade de trabalho e a tarefas executadas de forma menos segura, o que aumenta a chance de acidente.
E o problema muitas vezes começa antes do expediente. Um estudo de Carter, Muller e Roberts (2006) com 127 trabalhadores de uma planta industrial em clima quente encontrou dois em cada três chegando ao início do turno já desidratados. Ou seja, contar só com a água que cada um traz de casa não resolve.
Na prática: repor só água ajuda, mas não devolve o sódio e o potássio que saem no suor. Em jornadas longas e quentes, a reposição de eletrólitos faz diferença para manter a equipe hidratada de verdade.
O que a NR-09 pede sobre calor
Desde a Portaria SEPRT nº 1.359/2019, a NR-09 tem um anexo específico para calor (Anexo 3), com critérios de prevenção para quem está exposto. Entre os pontos que mais conversam com a hidratação:
- Água e reposição: quando os níveis de ação são ultrapassados, uma das medidas previstas é disponibilizar água fresca potável, ou outro líquido de reposição adequado, e incentivar a sua ingestão.
- Organização do trabalho: programar as tarefas mais pesadas, preferencialmente, para os horários mais amenos do dia.
- Pausas e locais mais frescos: acesso a locais termicamente mais amenos para pausas, inclusive em áreas abertas, quando os limites são excedidos.
- Informação e treinamento: orientar os trabalhadores sobre os distúrbios causados pelo calor, seus sinais e sintomas, e sobre a importância de avisar o superior ou o médico quando eles aparecem.
- Aclimatização e emergência: considerar a aclimatização prevista no PCMSO e manter um procedimento de emergência específico para o calor.
A avaliação quantitativa segue a NHO 06 da Fundacentro, com o cálculo do IBUTG e da taxa metabólica de cada atividade. É ela que diz se a sua operação passou do nível de ação e quais medidas são obrigatórias.
Plano de ação em 7 passos antes da próxima onda de calor
- Mapeie quem está exposto. Liste funções, locais e horários com sol direto, fontes de calor ou EPI pesado. Comece pelas equipes em campo e em frentes de serviço afastadas.
- Leve a hidratação até a equipe. Ponto de hidratação longe de quem trabalha é ponto de hidratação vazio. Distribua garrafões e térmicas nas frentes de serviço e garanta reposição ao longo do dia.
- Inclua reposição de eletrólitos. Para jornadas longas e quentes, use um repositor hidroeletrolítico com sabor que a equipe aceite beber o dia inteiro. Sachês individuais funcionam para quem está em deslocamento; pacotes para preparo coletivo atendem pontos fixos.
- Reorganize os horários. Concentre as tarefas mais pesadas no início da manhã e no fim da tarde, e crie pausas em sombra nos horários de pico.
- Cuide da aclimatização. Quem acabou de chegar, voltou de férias ou de afastamento ainda não está adaptado ao calor. Aumente a exposição de forma gradual nos primeiros dias, conforme o PCMSO.
- Treine a equipe para reconhecer os sinais. Sede, câimbra, dor de cabeça, tontura e confusão precisam ser reconhecidos e comunicados na hora, por quem sente e por quem está do lado.
- Tenha um procedimento de emergência. Defina quem age, para onde levar o trabalhador, como resfriar e quando acionar o SAMU (192).
Quanto a equipe precisa beber
O NIOSH, órgão de saúde ocupacional dos Estados Unidos, orienta beber cerca de um copo de água a cada 15 a 20 minutos durante o trabalho no calor, mesmo sem sede, sem passar de 1,4 litro por hora. Na prática, a necessidade varia com a intensidade do calor e do esforço. Estas são as referências que usamos na calculadora do nosso site:
| Condição de trabalho | Exemplo | Referência por hora | Turno de 8 h |
|---|---|---|---|
| Moderada | Sombra parcial, esforço leve a moderado | 0,5 L | 4 L |
| Intensa | Sol direto, esforço físico contínuo | 0,75 L | 6 L |
| Extrema | Sol e fontes de calor, EPI pesado | 1 L | 8 L |
Esses números servem para planejar volume de líquido e pontos de hidratação. Eles não substituem a avaliação técnica do ambiente. Para calcular o consumo da sua equipe por turno e por mês, use a calculadora de reposição.
Água ou reidratante?
A água é a base e nunca pode faltar. O reidratante entra para repor o que a água sozinha não devolve: o sódio e o potássio perdidos no suor ao longo de horas de trabalho no calor. Por isso, em operações com exposição intensa, o mais comum é combinar os dois: água sempre disponível e reposição hidroeletrolítica em pontos e horários definidos.
Na escolha do produto, três pontos pesam no dia a dia: o formato (dose individual ou coletiva), a facilidade de preparo no campo e o sabor. Reidratante que a equipe não gosta de beber fica no almoxarifado. Variar os sabores ao longo da semana ajuda a manter o consumo regular.
Perguntas frequentes
A empresa é obrigada a fornecer água para quem trabalha no calor?
Sim. A água potável é uma obrigação geral das normas de segurança, e o Anexo 3 da NR-09 prevê, entre as medidas de prevenção quando os níveis de ação são ultrapassados, disponibilizar água fresca potável ou outro líquido de reposição adequado e incentivar o consumo.
Quantas ondas de calor estão previstas até o fim de 2026?
O Cemaden projeta pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, em um cenário de El Niño muito forte, segundo o Painel El Niño 2026-2027.
Beber só água resolve a desidratação no trabalho?
A água é essencial, mas não repõe o sódio e o potássio perdidos no suor. Em jornadas longas sob calor, a reposição de eletrólitos com um repositor hidroeletrolítico ajuda a manter o equilíbrio do corpo.
Quanto um trabalhador deve beber por hora no calor?
Como referência, o NIOSH orienta cerca de um copo a cada 15 a 20 minutos, sem passar de 1,4 litro por hora. O volume ideal depende da intensidade do calor, do esforço e da avaliação técnica do ambiente.
Como saber se a minha operação passou do limite de calor?
Pela avaliação quantitativa prevista na NR-09, feita conforme a NHO 06 da Fundacentro, com medição do IBUTG e estimativa da taxa metabólica. O laudo LAPEN da Nutraer faz essa avaliação e entrega um protocolo de reidratação para o seu PGR.
Prepare a sua equipe antes da próxima onda de calor
A Nutraer fornece repositores hidroeletrolíticos em sachê de 10 g e pacote de 500 g para empresas, e o laudo LAPEN para sustentar o gerenciamento de risco ao calor no seu PGR.
- O Povo: Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor até dezembro (Painel El Niño 2026-2027)
- Mix Vale: Inmet prevê outubro com calor acima da média
- Portaria SEPRT nº 1.359/2019: Anexo 3 da NR-09 (Calor)
- NIOSH (CDC): Heat Stress, Hydration
- Revista Brasileira de Nutrição Esportiva: necessidades de reidratação para a saúde do trabalhador


